4º IRONMAN 140.6 AUSTRIA – 2016

4º IRONMAN 140.6 AUSTRIA – 2016

Ironman 140.6 em menos de 15 horas: como me superei aos 52 anos

Se você vem acompanhando semanalmente cada uma das minhas publicações, deve estar lembrado que, na última (Ironman 70.3 em Pescara: os desafios para o meu segundo certificado), fiquei de compartilhar a minha experiência na Áustria, quando, ainda no primeiro semestre de 2016, finalmente competi em um evento que elevaria ao máximo todos os desafios que eu já havia enfrentado nas minhas iniciativas anteriores: um Ironman completo, isto é, um Ironman 140.6!

A verdade, porém, é que, antes de me deslocar até a Aústria, houve ainda um terceiro Ironman do qual participei novamente em Miami, em outubro de 2015. Um ano depois da conquista do meu primeiro certificado como “homem de ferro”, eu me encontrava novamente em terras norte-americanas em busca de aperfeiçoar a minha própria performance, mas não sem antes ter investido ainda mais nos meus treinos. E o resultado, conforme eu previa, foi justamente o reflexo do meu esforço e da minha preparação: comparativamente a outubro de 2014, consegui concluir todos as modalidades com 1 hora e 4 minutos a menos!

Assim, quando cheguei à cidade de Klagenfurt, capital do Estado da Caríntia, na Áustria, a minha bagagem como esportista já contemplava três Ironmans 70.3. Era dia 26 de junho, o megaevento reunia 2.950 atletas de mais de 60 países, e eu ingressei na categoria que abrangia os atletas de 50 a 54 anos de idade. Agora, além de três Ironmans, eu também já tinha 52 anos de idade e, pela frente, um percurso com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida a serem concluídos dentro de até 17 horas.

Desta vez, eu tinha intensificado ainda mais o treinamento, contando até mesmo com a ajuda do meu personal trainer. Para se ter uma ideia, comecei a me preparar desde setembro de 2015, duplicando os esforços e também redobrando os cuidados, atentando-me, por exemplo, aos atritos que poderiam ser provocados nas minhas articulações.

Aproximadamente quatro meses antes da competição, eu já percorria cerca de 120 km, 150 km de bicicleta. Em média, os treinos duravam três horas por dia, seis dias por semana, muitas vezes extrapolando para cinco, seis horas nos finais de semana dos últimos dois meses.

Em menos de 15 horas, uma experiência e tanto!

O calor na cidade de Klagenfurt estava insuportável, mas, no dia da competição, acabamos sendo “favorecidos” com a chegada de uma frente fria. Contudo, o fato é que eu não tinha me preparado para essa temperatura, tampouco para a chuva torrencial que precisei enfrentar por volta do km 110 até o km 140, quando estava em cima da bike ‒ o que me obrigou a reduzir a minha velocidade, dada a baixa visibilidade. O céu voltou a abrir somente no km 170, quando me faltavam 10 km. O ciclismo tinha sido especialmente mais difícil do que eu imaginava: não bastassem as subidas muito íngremes, ainda enfrentei um problema com a corrente da bicicleta, que soltou quatro vezes!

De tudo, o meu maior desafio ainda estava por vir. Foi durante a corrida, entre o km 25 e o 42 km, quando senti dores intensas em decorrência de uma queimadura nas minhas virilhas, que começaram a sangrar.

Passar um dia inteiro em atividades, sem parar nunca, é árduo! A gente começa a se machucar um pouco, e foi precisamente aí que comecei a “esfriar mentalmente”. Eu não tinha me dado conta de que faltavam apenas 20 km! Eu havia me preparado por tanto tempo… Não podia deixar de concluir a prova quando faltavam somente 20 km! Então, nessa hora, foi a minha cabeça que me ajudou.

            Apesar dos 15 minutos que perdi com a corrente da bicicleta, da energia que precisei despender a mais por conta do frio, da forte chuva que me surpreendeu e da intensa dor causada pela assadura nas virilhas, consegui finalizar todas as etapas dentro das minhas expectativas: em 14h53min!

No período em que estive nadando por 1h45min, pedalando por 6h49min e correndo por 5h47min, perdi simplesmente dez mil calorias e seis quilos, os quais levei algum tempo para recuperar totalmente.

Sem dúvida alguma, foi uma experiência e tanto, da qual extraí valiosas lições – lições que, inclusive, aproveitei para o meu quinto Ironman, em Foz do Iguaçu. Afinal, se antes um Ironman 70.3 era algo desafiador para mim, a partir dali ele se tornaria praticamente uma espécie de “treino”!

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